sábado, 23 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Ser pai hoje: um grande desafio !
A transição da conjugalidade para parentalidade é um momento bastante mobilizador dentro do ciclo de vida familiar. Dentro desta transição, o período da gravidez é bastante ansiogênico tanto para homens como para mulheres. Medo, ansiedade, angústia, preocupações e fantasias pairam as mentes dos futuros papais e mamães. Porém, pouco se escreve sobre a gravidez na perspectiva dos pais. A maioria dos textos ainda aborda somente a experiência da mulher. Futuros pais podem se sentir bastante excluídos neste período. Em pesquisa realizada recentemente por Bornholdt et al., os futuros papais queixam-se de não terem espaço para desabafar e falar de suas angústias.
A vivência do período de gravidez também mobiliza bastante os homens. Como somente as mulheres ficam grávidas, muitas vezes os homens sentem-se excluídos, solitários e até invejosos. Esse afastamento e essa falta de espaço dado aos hoemns pode afastá-los do bebê, por isso, o vínculo paterno pode levar mais tempo, ocorrendo, muitas vezes, somente quando o bebê nasce.
Hoje, percebemos que os homens querem ficar mais envolvidos na situação da gravidez e menos periféricos, embora, alguns papeis ainda tradicionais atrapalhem a experiência do futuro papai. Homens e mulheres ainda comportam-se de maneira conservadora e fixa nos papeis de gênero. Na pesquisa citada, parece que a preocupação com a vida financeira da nova família fica a cargo dos homens.
O cenário contemporâneo assiste a homens que tentam ser mais participativos no processo da paternidade não somente quando o bebê nasce, mas desde a sua gestação. Precisamos conversar mais sobre o processo da paternidade, abrindo espaço para que homens falem também de seus medos e angústias. Precisamos acolher os homens neste processo e escutá-los!
“Ser pai atualmente é, certamente, caminhar por um terreno desconhecido, antes e depois do nascimento dos filhos. As referências passadas não são mais suficientes para dar conta das demandas da paternidade na atualidade. Reinventar e redefinir o lugar do pai na família e na sociedade é, certamente, um dos grandes desafios dos homens e mulheres da contemporaneidade.” (Bornholdt et.al., 2007, p.90)
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Psicoterapia: um caminho para o autosuporte.

A palavra autonomia, etimologicamente deriva de ser “autogovernante”. Ser autônomo significa agir de acordo com o próprio ser, sentir-se livre e volitivo em suas ações. Quando autônomas, as pessoas estão inteiramente dispostas a fazer o que estão fazendo e elas abraçam a atividade com senso de interesse e comprometimento. Por outro lado, ser controlado significa agir por estar sendo pressionado. Seu comportamento não é expressão de seu ser e essas pessoas tornam-se alienadas.
O que é preciso para que busquemos nossa autonomia? Para ser autônomo, você precisa ser autêntico, para ser autêntico, você precisa integrar várias partes de seu self e para tal, precisa se conhecer bastante.
O processo psicoterápico tem um objetivo ético, no sentido de transformar seres controlados em seres autônomos. Ao invés de seres alienados, seres autênticos. O maior desafio do psicoterapeuta, na relação com seu cliente, é o de favorecer essa transformação, já que ele também é um indivíduo inserido numa sociedade que tenta adequá-lo e submetê-lo a regras externas. A relação psicoterápica por si só já deve ser uma relação transformadora, no sentido de permitir que os dois seres em relação sejam livres e espontâneos em seus jeitos de ser-no-mundo.
Muitos preconceitos existem em relação ao processo de psicoterapia. Um deles diz que pessoas em terapia ficam egoístas e solitárias. Mas, pesquisas revelam justamente o contrário. Quando as pessoas entram em contato consigo próprias sentem-se mais livres e mais autênticas (nem por isso, menos responsáveis), daí poderem se relacionar de forma mais madura com as outras pessoas. Quando não sabemos quem somos, nos relacionamos de forma “escamoteada”, não revelando ao outro nosso self, porque nem nós o conhecemos.
Edward Deci é Ph.D em Psicologia e estuda há vinte e cinco anos conceitos como autonomia, autenticidade, liberdade e self. Segundo ele, todos os relacionamentos, até mesmo os mais íntimos, são permeados por uma luta incessante para sermos quem queremos ser. Estamos sempre brigando entre a autonomia e o controle, entre escolha e submissão, entre autenticidade e alienação.
Pessoas em posição de superioridade sejam elas pais, professores, médicos, psicoterapeutas etc devem repensar suas posições. Enquanto terapeutas, estamos submetendo os outros ou estamos criando condições nas quais o outro se sinta motivado? Segundo Deci, “a escolha é a chave para a autodeterminação e a autenticidade”. Precisamos esquecer a ideia de que motivação é algo dado pelo outro. Enquanto psicólogos clínicos, nossa tarefa é ajudar o outro a descobrir se suas escolhas e ações são autodeterminadas e fazem sentido para si e isso já é bastante trabalho!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
“Ser uma mulher solteira hoje.”
Ser mulher hoje parece ser bem mais complexo do que era antigamente. Mulheres que estão hoje com 30 anos aproximadamente são filhas do movimento feminista, ou seja, trabalham bastante, não sabem fazer nada na cozinha e nem querem, tem que pensar em suas carreiras, tem alguns “ficantes” e várias amigas com quem dividir suas angústias.
Embora não seja uma vergonha ser solteira aos 20, quando chegam aos 30 e 40 ser solteira vira um problema. Ela sofre pressões e preconceitos por parte da sociedade, parecendo inadequadas. As amigas estão casadas, “felizes” e com suas crias e elas ... solteiras !
Quando ouvimos das mulheres quais seus sonhos e planos, quase em todos está incluída a figura masculina. O que acontece hoje é que valores conservadores convivem com valores contemporâneos. A mesma mulher que paga as contas, que pode tudo e não precisa de nada é a que quer ter uma vida familiar nos moldes da sua mãe.
Márcia Rejane Mercia, analisando em sua dissertação, o programa Sex and the City, diz que ele apresenta uma mulher “aparentemente desprovida de pudores sexuais, mas infeliz caso não tenha um laço afetivo.” Em sua análise, Márcia diz que o final do programa expõe quatro mulheres que tem seu “final feliz”, porém, nos moldes dos romances de folhetim. Embora os diretores do programa tenham dito que o objetivo era mostrar uma mulher “empoderada”, acabam por aprisioná-la em seus paradoxos, já que a saída para sua felicidade e igualdade está sempre dependente do homem. No final, o programa apresenta o ideal de felicidade feminina: um lar seguro em um núcleo familiar!
O que podemos perceber e observar hoje é que a mulher já entendeu que é dona de seu próprio nariz, ela toma suas próprias decisões, paga suas contas, porém não deixa de sofrer por isso. Principalmente em relação a sua vida afetiva, elas ainda sofrem pressões para serem enquadradas nos moldes tradicionais.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Homens, mulheres e seus desencontros

Pesquisas mostram que as brasileiras, diferentemente das alemães, acumulam funções. Em países como a Alemanha, o número de mulheres que opta por não ter filhos, por conta do investimento na carreira, é cada vez maior. Geralmente, quando alcançam o esperado sucesso profissional, já é tarde para ter filhos. Os números mostram que 44% das alemães com formação universitária não tem filhos. Na Alemanha e em alguns outros países, como a França, a opção por não ter filhos é culturalmente aceita, enquanto que, no Brasil, o valor da mulher ainda deriva do fato de ser esposa e mãe. Segundo a antropóloga Miriam Goldemberg, os homens são socializados com futebol e outros jogos competitivos, enquanto que as mulheres são socializadas com novelas, romances de banca, como Sabrina (que até hoje vende muito!) e filmes como “Sex and the city”, que mostram mulheres idiotizadas a procura do príncipe encantado.
Na nossa cultura, o valor da mulher vem do fato de ela possuir um bom homem ao lado, que quer dizer, ser bonito, esperto e bem sucedido, o qual ela expõe como um troféu. O movimento feminista tinha o objetivo de fazer com que as mulheres recusassem o lugar de 2º sexo ou sexo frágil e também os papéis de esposa e mãe como principais em suas vidas. Vemos que hoje, outros assuntos estão em pauta na vida das mulheres como carreira, dinheiro e consumo, porém, elas estão complicadas, principalmente aqui no Brasil, onde ainda se vêem na obrigação de mostrar ao mundo que “dão conta de tudo”. Atolam-se em suas diversas funções e reclamam 24 horas por dia! Pesquisas mostram que ainda no espaço doméstico, são elas que mandam, enquanto que em espaços sociais vemos cada vez mais a distância entre homens e mulheres diminuir.
A entrada da mulher no mercado de trabalho tornou-as exigentes e independentes e isso causou e causa muitos conflitos nas relações afetivas com os homens. Os homens têm reclamado bastante que elas têm muitas demandas, reclamam de tudo e que eles não conseguem satisfazê-las nunca, enquanto elas reclamam que falta homem interessante no “mercado” e que eles priorizam outras coisas, como futebol e amigos, ao invés da relação a dois. O que se vê é que os jovens continuam querendo casar, porém os casamentos têm durado menos tempo, porque homens e mulheres estão muito exigentes e, em conseqüência disso, muito intolerantes e insatisfeitos. É preciso que estejamos abertos a novas formas de relacionamento, onde o diálogo e a liberdade de ser do outro sejam respeitados.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
QUESTÃO DE LIMITE - ARTIGO DO O GLOBO
Qual será a sociedade do futuro se hoje os pais não construírem limites para seus filhos? Talvez uma sociedade de adultos despreparados para as incertezas da vida e sem consciência de que o mundo não gira em torno deles. Mas qual a saída para ajudar pais e responsáveis nessa difícil missão de educar crianças cada vez mais conectadas pela tecnologia a diferentes realidades e estímulos? Existem inúmeros caminhos de suporte educacional distantes da maioria da população, mas, ao propor a Lei da Palmada ao Congresso Nacional, proibindo o uso de castigos corporais sem dar às famílias subsídios para adotarem um comportamento diferenciado na hora de impor limites às suas crianças, o governo está apenas criando mais um assunto para as rodas de psicólogos e especialistas no tema.
Muitos pais na infância viveram a rotina da palmada para aprender o que não “deve ser feito”, desconhecendo outras soluções educativas. Se não viveram essa rotina na infância, para muitos a palmada é apenas o reflexo da falta de paciência para optar pelo caminho do diálogo, situação muito comum nos dias de hoje, em que a maioria dos pais trabalha fora e passa grande parte do tempo longe de casa. Muitos, inclusive, exatamente por estarem ausentes quase em tempo integral, se sentem culpados por isso e preferem até mesmo não impor limite algum.
Paralelamente, uma lei desse tipo gera outras situações controversas. A falta de informação sobre as regras que estabelece pode, amanhã ou depois, levar um filho a agredir um pai e achar-se no direito de ameaçá-lo de denúncia se ele retrucar.
Por outro lado, o que um pai considera como “palmada”, para outro pode ser considerado uma agressão mais violenta, e vice-versa. Cada um tem uma concepção diferente. Não dá para colocar a questão da educação e da saúde da criança e do adolescente “num mesmo saco”. Além disso, é utópico imaginar que uma lei dessa natureza conseguirá interferir na rotina pré-estabelecida das famílias.
Prática corriqueira na educação do passado, a partir do fim do século XX a punição física passa a ser mal vista por psicólogos e profissionais da educação, assim como qualquer castigo físico direcionado às crianças. É a partir da década de 80 que começam a surgir os primeiros programas específicos para atendimento dessa problemática e, em 1990, é criado o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Seja qual for o caminho pedagógico ou psicológico adotado, uma coisa é certa: criança precisa de limites.
Mas um limite saudável. E, muitas vezes, dar uma palmada significa meramente aplicar um castigo, e não impor o limite efetivamente.
É preciso levar a público, de forma massificada, que existem formas saudáveis de se impor esses limites, seja através de campanhas educativas, realização de terapias direcionadas em unidades públicas voltadas para as famílias ou interferências dos poderes públicos nas políticas de ensino e pedagógicas. É possível construir uma sociedade sem violência doméstica e com cidadãos mais bem preparados para a vida. Mas, assim como educar, isso dá um baita trabalho.
Luciana de La Pena
Muitos pais na infância viveram a rotina da palmada para aprender o que não “deve ser feito”, desconhecendo outras soluções educativas. Se não viveram essa rotina na infância, para muitos a palmada é apenas o reflexo da falta de paciência para optar pelo caminho do diálogo, situação muito comum nos dias de hoje, em que a maioria dos pais trabalha fora e passa grande parte do tempo longe de casa. Muitos, inclusive, exatamente por estarem ausentes quase em tempo integral, se sentem culpados por isso e preferem até mesmo não impor limite algum.
Paralelamente, uma lei desse tipo gera outras situações controversas. A falta de informação sobre as regras que estabelece pode, amanhã ou depois, levar um filho a agredir um pai e achar-se no direito de ameaçá-lo de denúncia se ele retrucar.
Por outro lado, o que um pai considera como “palmada”, para outro pode ser considerado uma agressão mais violenta, e vice-versa. Cada um tem uma concepção diferente. Não dá para colocar a questão da educação e da saúde da criança e do adolescente “num mesmo saco”. Além disso, é utópico imaginar que uma lei dessa natureza conseguirá interferir na rotina pré-estabelecida das famílias.
Prática corriqueira na educação do passado, a partir do fim do século XX a punição física passa a ser mal vista por psicólogos e profissionais da educação, assim como qualquer castigo físico direcionado às crianças. É a partir da década de 80 que começam a surgir os primeiros programas específicos para atendimento dessa problemática e, em 1990, é criado o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Seja qual for o caminho pedagógico ou psicológico adotado, uma coisa é certa: criança precisa de limites.
Mas um limite saudável. E, muitas vezes, dar uma palmada significa meramente aplicar um castigo, e não impor o limite efetivamente.
É preciso levar a público, de forma massificada, que existem formas saudáveis de se impor esses limites, seja através de campanhas educativas, realização de terapias direcionadas em unidades públicas voltadas para as famílias ou interferências dos poderes públicos nas políticas de ensino e pedagógicas. É possível construir uma sociedade sem violência doméstica e com cidadãos mais bem preparados para a vida. Mas, assim como educar, isso dá um baita trabalho.
Luciana de La Pena
terça-feira, 24 de agosto de 2010
“Eu vivo por ele! “: amor ou dependência afetiva?
Muitas pessoas procuram psicólogos por problemas afetivos, seja por que amam demais, seja por que amam de menos. Com o tempo, escarafunchando suas queixas, percebemos que, muitos desses que dizem que amam, no fundo, dependem afetivamente de outra pessoa. Mesmo em situações onde a dependência patológica é clara, a pessoa não consegue se livrar daquele relacionamento, pois se sente totalmente presa a ele.
No livro “Amar ou depender”, Walter Riso, um terapeuta que atua na Colômbia, compara os dependentes afetivos aos drogadictos ou viciados. “O vício afetivo tem as características de qualquer outra adição, mas com certas peculiaridades.” Quando uma paciente chega a seu consultório e lhe pede para ajudá-la a deixar de amar aquele homem que a maltrata tanto, Walter Riso responde que isso é impossível. Não podemos esperar deixar de amar e, sim, desenvolver nossa autoestima, autorrespeito e controle emocional para nos fortalecermos e percebermos que o que sentimos não é amor e sim dependência afetiva. “O viciado deve deixar de consumir, mesmo que seu organismo não queira fazê-lo.”
Quando perguntadas sobre o que seria uma boa relação amorosa, a maioria das pessoas responderia que é aquela baseada no amor. Porém, somente o amor não basta para a construção de uma relação saudável, é preciso respeito, sinceridade, comunicação clara, afinidade de gostos, etc. O que adianta o amor em sua forma pura? A vida é bem mais real do que isso! Desconfiemos daquelas pessoas que falam em alto e bom tom coisas tipo: “Vivo por ele e para ele”, “Ela é tudo para mim”, “Ele é a coisa mais importante da minha vida”, “Não sei o que faria sem ela”, “Se ele me faltasse, eu me mataria” e tantas outras ...
Segundo Walter, o diagnóstico da dependência está baseado nos seguintes pontos:
1. A dependência só aumenta com o decorrer do tempo, apesar dos maus tratos;
2. A ausência do parceiro causa enorme sofrimento;
3. Há o desejo de deixar o outro, mas as tentativas são em vão;
4. Grande investimento de tempo e esforço para poder estar com o outro;
5. Redução de seu desenvolvimento familiar, social e profissional.
Várias são as causas da dependência afetiva: imaturidade emocional, baixa autoestima, baixa tolerância ao sofrimento, à frustração, medo do abandono, etc. Ao invés de só buscar as causas, é importante perceber se aquela relação me faz crescer como pessoa e ao outro também. É preciso escutar os sinais do mundo, amigos e parentes sempre dão sinalizações de como estamos. É preciso que fiquemos atentos. E quando o sofrimento for maior do que a alegria numa relação amorosa, procure ajuda profissional, pois certamente esse padrão de relacionamento vem se repetindo há algum tempo em sua vida!
Termino com um texto do próprio Walter:
“A convivência não é um panaceia, mas tampouco é infelicidade total. O amor é um processo em ebulição permanente, vivo e ativo, no qual traçamos a cada instante nosso ecossistema afetivo, nosso lugar no mundo. É a operação pela qual nos adaptamos ao outro, sem deixarmos de ser nós mesmos. Podemos nos encaixar sem nos violentar, nos adaptarmos devagar e com ternura, como quem não quer ferir nem ser ferido. E essa união maravilhosa de ser dois que parecem um somente é possível compaixão e sem dependência afetiva.” (pp163)
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
ALIENAÇÃO PARENTAL
O psiquiatra Richard Gardner, em 1985, denominou como síndrome da alienação parental, o processo que consiste em programar uma criança para que odeie o genitor sem qualquer justificativa. Trata-se de uma verdadeira campanha para desmoralizar o genitor. O filho é utilizado como instrumento de agressividade direcionada ao parceiro. A criança que ama o seu genitor é levada a afastar-se dele, que também a ama, gerando contradição de sentimentos e destruição do vínculo entre ambos.
Os casos mais frequentes da síndrome de alienação parental estão associados a fatores e situações onde a ruptura da vida conjugal gera em um dos pais uma tendência vingativa muito grande contra o outro parceiro. Quando um dos genitores não consegue elaborar adequadamente o luto da separação, desencadeia um processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito contra o outro. Para compreender psicologicamente o que ocorre nesta síndrome, é necessário entender o que ocorre no momento anterior ao processo de separação conjugal.
Para Féres-Carneiro (1998), na situação de separação, o pior conflito que os filhos podem vivenciar, é o “conflito de lealdade exclusiva” quando exigida por um ou ambos os pais. No momento do divórcio, alguns casais não conseguem distinguir com clareza a função conjugal e a função parental. Esse é um dos maiores problemas para os filhos, pois produz uma grande confusão.
É necessário que homens e mulheres, quando separados, lembrem-se que continuam em suas funções de pai e mãe. A família é constituída de vários subsistemas, entre eles, o conjugal e o parental. Quando um casal se separa, o holon conjugal desfaz-se, porém o parental continua em novo formato. É preciso que pais e mães cuidem e preservem a saúde mental de seus filhos e entendam que o vinculo com o outro genitor é extremamente importante para a vida de seus filhos.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A dislexia emocional: Deixe de ser criança!
Você é o adulto confiante e confiável que sempre achou que seria, ou a vida muitas vezes o deixa desconcertado?
Você fica frustrado porque acha que deveria ter mais controle?
Você se sente embaraçado ou infeliz quando reage de determinadas formas, mas descobre que não consegue impedir que isso aconteça?
Você se sente embaraçado ou infeliz quando reage de determinadas formas, mas descobre que não consegue impedir que isso aconteça?
É com essas três perguntas impactantes que Helen Kramer inicia seu livro “Deixe de ser criança”. Usando o termo dislexia emocional, ela explica como adultos podem comportar-se emocionalmente como crianças. “A dislexia emocional é um impedimento fundamental para que uma pessoa atinja uma maturidade plena. É o motivo que o leva a explodir quando deseja sentir-se calmo, a ter medo quando quer ser corajoso ou a sentir-se frustrado ao invés de bem-sucedido.”
Nosso processo de aprendizagem inicia-se quando nascemos e se dá na troca com o meio. Primeiro na troca com os pais e, principalmente, com a mãe ou quem cuida do bebê. Com o passar do tempo as trocas se dão com o meio ambiente. Porém, os bebês não sabem que suas mães vão lhe alimentar quando estão com fome, e, por isso, choram. Com o passar do tempo e desenvolvimento de sua memória, eles começam a chorar menos, porque sabem que suas mães virão com a mamadeira. Segundo a própria autora, a vida torna-se dramática por não ser ainda compreensível para uma criança. “A vida é verdadeiramente dramática para a criança devido à sua incapacidade de controlar-se e de controlar o ambiente em que vive.”
Pessoas “disléxicas emocionalmente” são aquelas que não sabem lidar com as mudanças que acontecem em suas vidas e agem como crianças. Tornam-se dependentes e impotentes e agem melodramaticamente diante de situações que requerem certo controle emocional. Todos nós podemos passar por isso. Segundo palavras da autora, ninguém é perfeitamente equilibrado todo o tempo. Muitas vezes vemos pessoas bem-sucedidas em seus trabalhos e super infantilizadas dentro de casa; executivas de grandes empresas brigando com seus namorados porque ele não ligou na hora combinada, um grande médico brigando no trânsito por causa de uma “fechada”. A maioria das pessoas têm certa área onde percebem que não tem controle e onde as respostas emocionais são infantis.
É preciso que conheçamos aonde somos frágeis, já que certas situações sempre se repetem. Passamos a vida repetindo as mesmas situações que nos impedem de crescer e só mudamos personagens e cenários. Crescer e virar adulto é difícil e não vem com manual. A psicoterapia nos ajuda a encarar nosso medos, ampliar nosso recursos e assumir quem queremos ser, independente do que dizem que é o certo. “Em nossa sociedade, estamos constantemente transformando seres humanos comuns em heróis e ficando desapontados quando não correspondem às nossas expectativas (...) Ficamos zangados quando nossos heróis nos decepcionam, porque estamos procurando modelos de poder baseados em nossas percepções infantis.”
Acalme-se: você é apenas um ser humano!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Por uma nova paternidade
Inspiradas pelo Dia dos Pais e pela volta às aulas das crianças, depois de um período de férias, gostaríamos de destacar a importância da figura paterna na educação dos filhos. Devido às mudanças dos últimos tempos, os homens têm dividido, cada vez mais, as tarefas domésticas com suas esposas, já que ambos trabalham fora. Essa mudança no cenário caseiro vem exigindo uma redefinição de papéis, principalmente o paterno. Várias funções, antes femininas, têm sido repassadas aos homens, principalmente em relação aos cuidados com os filhos (Jablonski, 1999).
Porém, ainda é grande a ausência paterna. Ela é muito estudada quando se dá o divórcio, na medida em que há significativo afastamento entre pai e filho, mas também nos casos de pais que moram na mesma casa de seus filhos. Eles ainda são dispersos quando se trata das atividades escolares, culturais e de lazer de seus rebentos. Ainda é a mãe a grande figura presente na vida dos filhos.
Pesquisas (Lamb, 1997; Black, Dubowitz&Starr, 1999; Marshall, English&Stewart, 2001) demonstram que pais que acompanham o desempenho acadêmico dos filhos promovem um melhor rendimento dos mesmos. Tais resultados demonstram a importância do pai para o desenvolvimento escolar dos filhos e apontam para a necessidade de educar os homens para conhecerem as muitas ações que podem melhorar seu desempenho enquanto pais.
É preciso diálogo e participação na vida do filho. Participação quer dizer mostrar interesse, perguntar sobre o dia do filho, auxiliá-lo, tirar suas dúvidas, etc. Foi verificado que crianças com melhor desempenho escolar têm mais apoios em casa além do apoio da mãe.
Devemos chamar atenção não só para as famílias, mas também para as escolas, que têm papel fundamental em alertar os pais “homens” de sua importância no desempenho afetivo, social e acadêmico de seus filhos. Uma nova paternidade se anuncia, com um pai não só provedor, mas um pai participativo, interessado e amoroso.
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